Pintei de breu a manhã com meu lápis rubro,
Pois de mim roubaram a alvorada e o entardecer,
Não gritei, sequer gemi,
Mas senti a dor da perda na sangradura de meu coração,
Tentei me apoiar na mansidão do mar, porém este estava revolto,
Recolhi-me, mas minha alma sofria,
Fervilhava sofreguidão e solidão em meus sonhos,
Pois a liberdade fora-me tolhida em nome da imaginação,
A resignação tomou conta do meu corpo,
Me fiz ladrão sem ter roubado,
Me fiz doente sem ter padecido,
Me fiz infeliz, sem ter vivido,
Pois viva o amanhã, que este será lindo,
As cores serão acrescidas das almas alegres,
E dos anjos rebeldes,
Mas eu não estarei aqui para recebê-los.
VIVA O AMANHÃ!


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